Linguagens Naturais

Jorge H C Fernandes (jorgehcfernandes@uol.com.br)

Maio de 2002

As linguagens naturais são efetivamente criadas por seres vivos e sociais. Linguagens naturais não são originadas de comunicação entre duas entidades isoladas. Pelo contrário, uma linguagem natural é continuamente estabelecida e aperfeiçoada ao longo do processo construtivo e histórico da sociedade de organismos que a criou.

A língua portuguesa, a "dança" das abelhas, os cantos e gestos dos pássaros, os padrões de cores e aromas das plantas, e mesmo o simbolismo interno empregado no processamento cerebral dos animais (ver The Society of Mind, de Marvin Misky), etc, são exemplos de linguagens naturais.

Exemplos de algumas linguagens universais criadas (ou adotadas) pela espécie humana (já nascemos usando estas linguagens):

Por serem criadas em sociedades de organismos vivos, as linguagens naturais estão em constante mutação, adaptação, criação e extinção. Uma conseqüência disto é que o significado das sentenças de qualquer linguagem natural varia ao longo do tempo e do estado dos organismos que as interpretam.

Estudiosos de linguagens naturais buscam sistematizar e estabelecer precisamente as regras de construção de uma linguagem natural, mas o processo é sempre uma aproximação no tempo e espaço. Ums gramática ou um compêndio da Língua Portuguesa, por exemplo, são aproximações da descrição da linguagem que mais empregamos para nos comunicar no Brasil. Estudiosos do comportamento animal, chamados etologistas, buscam descrever a linguagem empregada pelos animais para comunicação entre si. Psicólogos cognitivistas buscam entender a linguagem empregada pelo cérebro humano. Sociólogos buscam descrever aspectos da linguagem da sociedade que estudam.

Um livro como "The Java Language Specification" é uma aproximação bem mais precisa da definição da linguagem chamada Java, uma linguagem artificial, que tem um conjunto de regras e significados extremamente mais simples do que qualquer linguagem natural.

Aparentemente, ser humano é a única entidade viva conhecida que consegue, ao longo de sua existência singular, estabelecer de forma clara e ativa novas regras que modificam uma linguagem natural, e mesmo criar uma linguagem artificial inteiramente nova. Por conseqüência, somos os únicos organismos capazes de evoluir perceptivelmente e ativamente nossos processos cognitivos. O mesmo não ocorre com uma abelha, formiga ou mamífero irracional, que podem eventualmente contribuir para evolução de uma linguagem na sociedade em que habitam, mas o fazem de forma involutária e gradual, perceptível externamente apenas ao longo das várias gerações de sua espécie.

Podemos agora estabelecer uma comparação com as Linguagens Artificiais


Jorge H C Fernandes, DSc