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Repercussões do dossiê
sobre fraude à Constituição

Entrevista a Desirèe Conceição,
para matéria no jornal da Faculdade de Jornalismo da PUC-SP

Prof. Pedro Antonio Dourado de Rezende
Departamento de Ciência da Computação
Universidade de Brasília
Outubro de 2006



Desirèe Conceição: 1. Primeiramente, onde foi publicado o dossiê? Apenas na Internet? Em quais sites?

Pedro Rezende: O Dossiê "Anatomia de uma fraude à Constituição" foi publicado em 24 de agosto de 2006 no site do Dr. Adriano Benayon, em http://paginas.terra.com.br/educacao/adrianobenayon (não mais no ar), e em 27 de agosto, quando a fraude completou maioridade (18 anos) no meu portal web, em http://www.cic.unb.br/~rezende/trabs/fraudeac.html.

O Dr. Benayon também produziu uma pequena edição, em papel e reduzida (sem os anexos), para distribuição entre seus contatos mais próximos. Além disso, como o trabalho foi publicado com licença autoral permissiva, e alguns editores de portais web foram disso avisados, pelo menos dois deles também o publicaram, no Jus Navegandi e no Parlamento Livre.

DC: 2- O senhor e o professor Adriano Benayon tentaram publicar o dossiê na grande mídia? Se sim, o que os grandes veículos disseram sobre o caso da fraude?

PR: Desde o início propus, e o Dr. Adriano aceitou, que nosso trabalho fosse publicado com licença autoral permissiva, a Creative Commons NC-ND. Essa decisão contraria a lógica do lucro pela qual opera a mídia corporativa, que espera, via de regra, exclusividade ou transferência de direitos autorais quando decide publicar matéria alheia, especialmente matéria de grande repercussão.

Por isso não esperávamos, de início, grande interesse da mídia corporativa no nosso trabalho. Mesmo assim, notificamos jornalistas de prestígio e veículos de grande penetração, como a agência Estado, muitos no mesmo dia, alguns com antecedência, da nossa publicação na Internet com licença permissiva. A maioria sequer se dignou a responder.

Na imprensa escrita apenas Sebastião Neri, na Tribuna da Imprensa e em veículos sindicados à sua coluna, publicou logo uma nota, divulgando o trabalho e a natureza de suas revelações. Na televisão, no que me diz respeito apenas a TV Cultura do Paraná, em parceria com a TV Comunitária de Brasília, gravaram e transmitiram, no início de Setembro, uma entrevista de 56 minutos a respeito.

DC: 3-Eu pesquisei nos principais veículos da grande mídia e não há matérias  falando sobre o dossiê, que relata a fraude à Constituição brasileira. Em meados de 2005 a Folha de S. Paulo publicou uma entrevista bombástica com Roberto Jefferson (um cidadão de passado questionável), que levantou acusações sem prova contra o PT (note que não sou petista e nem defeno governo Lula). Mesmo sem provas, o jornal concedeu a entrevista de um espaço de 8 páginas e o caso virou escândalo nacional. Quando uma denúncia muito mais grave e comprovada, como a que vocês fizeram, ocorre a mídia fica em silêncio. Qual é sua opinião sobre a NÃO veiculação de uma descoberta tão importante como a retratada no dossiê, que é embasada em provas concretas e que deveria ser (a princípio) do interesse de todos que fosse divulgada? Por que o senhor acha que não houve um enorme alarde por parte dos grandes meios de comunicação?

PR: Se seguirmos a lógica da ideologia dominante, acho que poderíamos encontrar uma explicação no fato da mídia corporativa estar quase toda insolvente, e porque interessa a credores assim mantê-la. Nessa situação, um editor percebe, no mínimo instintivamente, os riscos que corre ao interpretar o valor jornalístico de um trabalho como esse do jeito que lhe ensinaram no curso de jornalismo, ou como indica seu faro jornalístico, e não conforme a linguagem de poder cifrada pela relação trabalhista que mantém com seu veículo ou patrão.

Soube que o dossiê circulou em lista de email especializada em jornalismo investigativo, pois fui procurado por um dos seus leitores, repórter do Correio Braziliense que se identificou como Eduardo Militão, que me pediu uma entrevista a respeito. Depois da entrevista, perguntado sobre o que faria com ela, disse-me o repórter que pretendia entrevistar também o ex-ministro Jobim, e depois tentar convencer seu editor a publicar matéria com seu trabalho. Até agora, nada.

Talvez, a julgar pela obsessão pré-eleitoral da hora, se tivéssemos pedido RS$ 1.7 milhão pelo dossiê ou por entrevista, em dinheiro vivo ou em dólares (a exemplo do dossiê sobre o envolvimento de candidatos neoliberais com a máfia dos sanguessugas), algo na grande mídia teria repercutido, mas nosso objetivo não era nem uma coisa nem outra. Nem o lucro, nem a fama pela repercussão. Nosso objetivo está explicitado logo na introdução, no próprio trabalho.

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[ATUALIZAÇÃO JULHO 2012:
Eduardo Militão eventualmente publicou, em junho de 2007, matéria investigativa no portal "Congresso em Foco", em http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/o-segredo-constitucional-de-nelson-jobim-e-gastone-righi, a qual depois sofreu revisão mas que atualmente se encontra replicada na íntegra no portal "Contra a Raison-D'Etat", do filósofo Roberto Romano da Unicamp: em http://robertounicamp.blogspot.com.br/2007/06/congresso-em-foco-segundo-indicaao-de.html]
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DC: 4- A quem o senhor acha que interessa que a descoberta de vocês seja ocultada pela grande mídia?

PR: A credores aos quais interessa manter a grande mídia insolvente, beneficiados que foram e seguem sendo pela fraude, e a políticos aos quais interessa explorar essa relação simbiótica, de insolvência conversível em controle.

DC: 5- Por que o senhor e Adriano Benayon resolveram investigar o fato que resultou no dossiê?

PR: De minha parte, respondi esta pergunta na entrevista que concedi à TV Cultura do Paraná, de cujos produtores recebi autorização para divulgar cópia. Prefiro indicá-la como resposta à sua pergunta, pela importância que a entonação nela desempenha.




Revisão
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A resposta à última pergunta foi complementada em Julho de 2012