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Novas(?) formas de guerra

Prof. Pedro Antonio Dourado de Rezende
Departamento de Ciência da Computação
Universidade de Brasília
junho de 2017


Entre 06 de junho e 17 de julho de 2017 o autor manteve, numa lista de emails dedicada à segurança digital, troca de mensagens a respeito de novas formas de se guerrear, imagináveis ou já sendo testadas. Como a lista é fechada, alguma edição foi necessária: autores respondidos são identificados por iniciais; [texto entre colchetes] são insertos que visam a preservar o sentido original do conteúdo postado, e elipses ... são supressões convenientes a esta edição.


email 1: 2017 Junho 06, LR:
[...] estou buscando subsídios e orientação sobre Guerra de Sexta Geração, para realização de Mestrado

email 2: 2017 Junho 06, OM:
Até onde eu sei estamos na Quarta [geração]. Tem mais informacoes pra me passar a respeito?

email 3: 2017 Junho 6, Pedro Rezende

Uma rápida olhada: Wikipedia chega até a de quarta geração, e esse blogger -- autonomeado especialista em sistemas militares embarcados -- que define guerra de quinta geração e promete definir a de sexta, ainda não publicou nada sobre a de sexta geração.

Desconfio que a de sexta ainda esteja em estágio especulativo, e que vai ter que se aprofundar na evolução das técnicas de controle mental/cognitivo das massas, para a qual uma boa fonte leiga pode ser a publicação ilustrada na imagem ao lado.
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email 4: 2017 Junho 06, LR:
A DOUTRINA DA SEXTA GERAÇÃO PODE SER VISTA [Dentre outras, neste artigo do portal defesanet]

email 5: 2017 Junho 6, Pedro Rezende

Não vi nenhuma novidade, em relação à quarta geração, nessa propaganda* linkada à guisa de referência para nova doutrina; apenas mais um rótulo para um precário mapeamento associativo entre distintas nomenclaturas bélicas cujo uso vem se consolidando no plano ideológico hegemônico e no plano ideológico multipolar.

Minha impressão inicial assim permanece, e aproveito para completar: a meu ver, a partir da quinta geração a verdadeira novidade em estratégias ou tecnologias de guerra, seja de sexta ou no mais tardar (para uma numerologia espiritualmente adequada) de sétima geração, serão as sobrenaturais, descritas em Jr 50:25-26, Jl 3:12-19, Zc 12:2-6 e 14, Is 60:2-3, Dn 7:11, Mt 24:27-28 e Ap 14:19-20.

*- ("... BUK empregado no ataque ao avião da Malaysia", etc)
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email 6: 2017 Junho 06, LR:
Entendo que existem muitos gurus e lançamento de muitas e novas teorias e nomenclaturas. [...] Cito algumas "idéias" em extensão às chamadas "guerras pós-modernas": permanent war, pure war , perfect war, postmodern, war, hight technology war, technological war, technowar, cyberwar, computer war, hight modern war, hypermodern war, netwar, third-wave war, iwar, hyper-real war, neocortical warfare, sixth generation war, nonheroic war, fourth-generation warfare, hibrid war, entre outras.

Tais nomenclaturas caracterizam um novo ambiente de guerra que ainda está em construção, mas já fazem parte da realidade do meio político, militar, acadêmico e empresarial. Se levarmos em conta o advento da "singularidade tecnológica" nesse campo do estudo, [...] ficamos surpresos (ver www.su.org).

email 7: 2017 Junho 06, SM:
"US Suspects Russian Hackers Planted Fake News Behind Qatar Crisis", [deu na] CNN

email 8: 2017 Junho 06, LR:
[...] O ELEMENTO-CHAVE da estratégia russa é a noção de que a guerra é essencialmente encenada na mente dos participantes. Em outras palavras, o apoio conceitual à guerra, tanto em casa como no país atacado, é fundamental para a vitória. Assim, o objetivo da guerra assimétrica e não-linear é a criação de um ambiente sociopolítico propício à destruição das estruturas econômicas e políticas do oponente.

email 9: 2017 Junho 29, Pedro Rezende

Ou seja: descubra o sentido informativo em (continuar) circulando artigos sobre hackers russos produzidos por essa empresa: "CNN is dead, network loses all credibility as producer admits that the entire russia narrative is fake news" (deu no Investment Watch Blog)

email 10: 2017 Julho 7

... Que faz dupla com essa outra empresa: "United Arab Emirates kacked Qatar government sites sparking regional upheaval, according to US intelligence officials" (deu no Washington Post)

Então, quais as lições aqui, com essa vertiginosa mudança de narrativa oficial, em menos de um mes, entre dois aparelhos da propaganda unipolar? A primeira é localizada. A segunda, de cunho geopolítico geral, nos põe a refletir em grande angular, sobre essa nomenclatura de guerra de nova/n-ésima geração e suas mistificantes narrativas, pode nos levar à seguinte conclusão.

Em sua dimensão talvez mais decisiva (a neocortical), no teatro das psyops, há uma assimetria específica que nos tem sido diligentemente camuflada, manobrada para permanecer estacionada sob o ponto cego da visão ideológica unipolar. Uma assimetria que surge do seguinte contexto: se o objetivo da estratégia bélica for a conquista, as táticas e munições mais eficazes nesse teatro são as forjadas com mentiras verossímeis que demonizam adversários; ao passo que se o objetivo for a sobrevivência coletiva, ao contrário, as mais eficazes são as forjadas com verdades lógicas e fatos observáveis que expõem falácias e estratégias opostas.

A assimetria está, ao menos enquanto o controle do uso das TIC -- principalmente as mais novas -- não for capturável e efetivo, no custo crescente para se sustentar a efeito neocortical das táticas e operações fundadas em mentiras verossímeis, enquanto decrescente para as táticas e operações opostas. Acho que era disso que Jesus falava em Mt 10.26. Como também crescente parece o esforço para manter camuflada essa assimetria, tecido das metanarrativas do "fog of war", que pintam os gatos todos de pardo, visando manter motivados os cooptados à conquista hegemônica unipolar.

Pintar como equivalentes todos os papéis nesse teatro (como vejo, p.ex., nUma referência ao "clássico hábito russo desde a era soviética" em artigo inicialmente citado como referência), ou ao menos como moralmente equivalentes, combina custo crescente e eficácia decrescente na medida em que a interminável guerra de conquista por um mundo unipolar, cada vez mais ambicionado por elites com miragens da singularidade, vai impondo seu custo social a quem no fim acabará pagando por ela. Tal conclusão se catalisou com um recente artigo de John Rappaport (sobre o atual estado da mídia corporativa nos EUA), diante da estratégia para tal conquista, elaborada e seguida pelos illuninati desde Albert Pike.

Que é a estratégia de seguir dobrando as apostas a cada nova crise social, econômica ou geopolítica.



Autor

Pedro Antonio Dourado de Rezende é professor concursado no Departamento de Ciência da Com­putação da Universidade de Brasília, Advanced to Candidacy a PhD pela Universidade da Cali­fornia em Berkeley. Membro do Conselho do Ins­tituto Brasileiro de Política e Direito de In­formática, ex-membro do Conselho da Fundação Softwa­re Li­vre América Latina, e do Comitê Gestor da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-BR). http://www.­cic.unb.br/~rezende/sd.php

Direitos de Autor

Pedro A D Rezende et. al., 2017:  Este debate é publicado no portal do editor-coautor, após a concordância dos demais coautores, sob a licença disponível em http://creativecommons.org/licenses/by-nd/2.5/br/