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Urna pode ser fraudada

Entrevista a Thaisa Oliveira,
para a matéria no jornal Gazeta do Povo:

"Entrevista exclusiva com professor de seguranca digital recebido pelo ministro Luis Fux"

Prof. Pedro Antonio Dourado de Rezende
Departamento de Ciência da Computação
Universidade de Brasília
10 de fevereiro de 2018



Thaisa Oliveira: O professor de segurança de dados da Universidade de Brasília (UnB) Pedro Rezende afirma que, embora a “ auditoria em tempo real” das urnas eletrônicas consiga inibir [alguns tipos de] ataques ao sistema, a proposta não garante a segurança das eleições.

A ideia foi revelada na quinta-feira (8) pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luiz Fux, durante café da manhã com a imprensa. Fux e Rezende se encontraram duas vezes em janeiro para discutir novas medidas de segurança. Defensor do voto impresso, o professor sustenta que, hoje, o sistema de votação está sujeito a ataques que poderiam comprometer o resultado das eleições.

A auditoria, ainda não regulamentada, propõe que uma amostra das urnas eletrônicas seja submetida a um teste extra de segurança uma hora antes do início da votação — já que, hoje, a última verificação do sistema ocorre antes da lacração das urnas, há um mês das eleições.

Segundo Rezende, com a inserção da biometria, a votação paralela — uma das medidas de segurança adotadas pela Justiça Eleitoral — não garante que o sistema esteja livre de invasores. Se, antes da biometria, o software invasor não conseguia saber se a identificação do eleitor era simulada, agora, o programa pode detectar quando a urna eletrônica está submetida à votação teste.

Rezende afirma ainda que, com a implementação gradual do voto impresso — sugeria pelo TSE—, o software invasor poderia poupar as urnas programadas para impressão do voto e atacar apenas as demais urnas eletrônicas.

Para o professor, diferentemente do votação impressa, a auditoria proposta por Fux fará com que o eleitor continue dependente da avaliação técnica de peritos. “O que a lei [do voto impresso] quer é dar alguma garantia ao eleitor de que ele pode confiar na urna eletrônica por conta própria, sem precisar confiar na palavra de especialistas”, diz. Em entrevista à Gazeta do Povo, ele defende que imprimir o voto em 100% das urnas é a única medida capaz de assegurar a transparência das eleições. Parte da entrevista foi publicada no vídeo abaixo. ________________________
Vídeo da entrevista (original no youtube)

Contexto, Desdobramentos?

Sobre o impasse no cumprimento da lei que exige impressão do voto em 2018, o entrevistado chegou a peticionar, em nome do Comitê Multidisciplinar Independente (do qual faz parte, junto com outros membros) por várias vezes o TSE, Ministério Público e Tribunal de Contas da União:




Coautor entrevistado

Pedro Antonio Dourado de Rezende é professor concursado no Departamento de Ciência da Com­putação da Universidade de Brasília. Advanced to Candidacy a PhD pela Universidade da Cali­fornia em Berkeley. Membro do Conselho do Ins­tituto Brasileiro de Política e Direito de In­formática, ex-membro do Conselho da Fundação Softwa­re Li­vre América Latina, e do Comitê Gestor da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-BR), en­tre junho de 2003 e fevereiro de 2006, como representante da Sociedade Civil. http://www.­cic.unb.br/~rezende/sd.php

Direitos do Autor

Pedro A D Rezende, 2018: Consoante anuência da entrevistadora, esta entrevista é publicada no portal do autor sob a licença disponível em http://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.5/br